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3 de dezembro, Dia Internacional da Luta contra os Agrotóxicos

 

Na agricultura atual, vemos muitos avanços tecnológicos sendo empregados, seja no maquinário, nas formas de cultivo, na utilização de sementes modificadas em laboratório, ou mesmo na utilização de insumos, tais como agrotóxicos e fertilizantes. 

Mas nem sempre os avanços tecnológicos trazem apenas bons resultados. Os agrotóxicos, por exemplo, são um grave problema.

Enquanto o manejo dos agrotóxicos expõe a saúde os agricultores, elevando inclusive o risco de suicídio, o consumo de alimentos com agrotóxicos prejudica a saúde das pessoas [1]. Como não bastasse, o uso indiscriminado de agrotóxicos contamina as águas subterrâneas e superficiais, os animais e as plantas, e vestígios dessa contaminação chegam novamente ao ser humano por um efeito cumulativo ao longo da cadeia alimentar [2].

A Organização Mundial da Saúde acredita que, anualmente, entre 3 e 5 milhões de pessoas sejam intoxicadas por agrotóxicos no mundo, e resíduos destes produtos nos alimentos continuam a preocupar consumidores que carecem de informações [3]. Essas substâncias se espalham pelo solo, ar e água para muito além do campo onde foram aplicadas. Não há como mensurar o tamanho do estrago.

O livro “O Consolador”, pelo Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, nos traz a informação de como devemos compreender a Natureza: “A Natureza é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos” [4]. 

A pergunta 121 deste mesmo livro é a seguinte: “O meio Ambiente influi no Espírito?” e Emmanuel responde: “O meio ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência [4]. Nestas respostas, percebemos claramente um chamado para uma ecologia mais profunda, com responsabilidade sobre nossos atos, que tem influência não apenas em nosso mundo material, mas que também refletem diretamente em nossos corpos espirituais [5].

Prosseguindo a reflexão sobre o impacto negativo que nossas ações podem causar, no Livro dos Espíritos, em resposta à pergunta 735, que questiona o “Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança?”, os Espíritos nos respondem: “A predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem mais do que necessitam, mas o homem, que tem livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois nesses casos ele cede aos maus instintos” [6].

Devemos observar nossos gestos, como eles influenciam o meio ambiente e como prejudicam não apenas a nós mesmos. Conforme vamos adquirindo consciência e instrução, nos afastamos das criações de necessidades artificiais egoístas e imprudentes, nos desapegando das necessidades materiais do lucro e nos focando no bem geral, mediante o equilíbrio ecológico e a manifestação do amor e do cuidado para conosco, com nosso próximo e com o meio que nos cerca.

Para colocarmos esses ensinamentos em prática, como podemos manter um modo de vida mais consciente e saudável? Uma forma seria consumir e incentivar a produção de alimentos orgânicos. 

Todo alimento cultivado sem o uso de agrotóxicos é orgânico? Não. A produção orgânica vai além da não utilização de agrotóxicos. O cultivo deve respeitar aspectos ambientais, sociais, culturais e econômicos, garantindo um sistema agropecuário sustentável para todos [7].

 

Referências bibliográficas em ordem de aparição:

[1] PIRES, Dario X., CALDAS, Eloísa D., RECENA, Maria C. P. Uso de agrotóxicos e suicídios no Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil, 2005. disponível em https://www.scielosp.org/article/csp/2005.v21n2/598-604/

[2] ISMAEL, Luara Lourenço; ROCHA, Elisângela Maria Rodrigues. Estimativa de contaminação de águas subterrâneas e superficiais por agrotóxicos em área sucroalcooleira, Santa Rita/PB, Brasil. Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.12 Rio de Janeiro dez. 2019  Epub 25-Nov-2019. https://doi.org/10.1590/1413-812320182412.27762017 

[3] STOPPELL, Illona Maria de Brito Sá; MAGALHÃES, Cláudio Picanço.. Saúde e segurança alimentar: a questão dos agrotóxicos. Ciênc. saúde coletiva v.10  supl.0 Rio de Janeiro set./dez. 2005. https://doi.org/10.1590/S1413-81232005000500012 

[4] XAVIER, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.

[5] GURGEL, Izabel. Ecologia à luz do Espiritismo. Portal do Espírito. https://espirito.org.br/artigos/ecologia-luz-do-espiritismo/. Enviado em 23/06/2015

[6] KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed., São Paulo, FEESP, 1995. São Paulo, junho de 1996 (http://www.sergiobiagigregorio.com.br/palestra/meio-ambiente-e-espiritismo.htm )

[7] O que define um produto orgânico? https://www.canalrural.com.br/noticias/que-define-produto-organico-56619/#:~:text=4)%20Todo%20alimento%20cultivado%20sem,garantindo%20um%20sistema%20agropecu%C3%A1rio%20sustent%C3%A1vel.