22 de março: Dia Mundial da água

O dia 22 de março é o dia mundial da água. Esta data foi criada durante a assembleia geral da ONU de 1993, para alertar as sociedades sobre a importância da conservação dos recursos hídricos. A conscientização sobre a necessidade da economia deste recurso natural é uma das principais metas desse dia [1].

Mas, por que a água é tão importante?

Primeiramente, a água dita diferentes ritmos aos ambientes. Pensamos em água e à nossa mente vem de forma imediata a imagem de rios, mares e chuva. Não é à toa. A água é tão abundante que o nosso planeta é chamado de planeta azul. Isso porque a água dos oceanos ocupa 71% da crosta terrestre [2]. A água também está em lugares não muito comuns no nosso planeta: em zona de subducção de placas tectônicas, confinada em plumas mantélicas a quilômetros de profundidade na Terra; ou ainda armazenada em rochas abaixo dos nossos pés como água subterrânea extraída em poços.

A importância da água também decorre do fato dela ser o meio de vida de um arcabouço biótico incontável, que forma os ambientes aquáticos em diferentes corpos hídricos: rios, lagoas, banhados, mares, oceanos. A vivacidade dos rios toma forma pelas nascentes. Possuímos uma legislação específica para protegê-las. Já os banhados são ecossistemas que se desenvolvem em planícies de inundação, relevo de baixa declividade e possuem inundações sazonais controladas pelo aporte do rio. As variações no fluxo de água nas áreas alagadas influenciam diretamente a variação de concentrações de nutrientes e nas espécies que habitam [3][4]. A água segue uma verdadeira dança pelos ambientes no que chamamos de ciclo hidrológico.

Mediante tamanha abundância de água no planeta, por que a ONU criou uma data para que refletíssemos sobre a conservação da água?

Embora a água esteja presente em abundância, devemos ter em mente que apenas 2,5% de toda a água do planeta é doce, e que boa parte dessa água doce está indisponível para nosso consumo, seja na forma de gelo ou neve, ou mesmo em lençóis freáticos. Somente 0,26% da água doce existente está disponível para atender nossas necessidades vitais, na forma de lagos, reservatórios e bacias hidrográficas [5].

A água é, portanto, um dos mais preciosos bens da terra. O uso dos bens da terra é um direito de todos os homens, e está diretamente relacionado a necessidade de viver, conforme certifica a questão 711 do Livro dos Espíritos, pela Lei da Conservação [6]. A água abastece o corpo sedento, mas também pode servir de remédio para a alma: A água fluidificada, tão utilizada nos centros espíritas, nada mais é do que água pura que sofre magnetização e torna-se elixir curativo para as enfermidades [7][8]. De fato, a água é elemento majoritário dos recursos hídricos, mas não deve ser vista somente como recurso, e sim como elemento que permite desde a vida à homeostase planetária, em uma microescala celular à macro escala das esferas climáticas.

A questão 716 do Livro dos Espíritos pergunta sobre o limite das nossas necessidades. A resposta é clara: a natureza traçou o limite das necessidades do homem em sua fisiologia, porém o homem é insaciável! Quantas de nossas “necessidades” não são reais? A água é um recurso limitado e que precisa de planejamento consciente de uso. Muitas atividades humanas impactam as águas de forma agressiva, interferindo no ciclo hidrológico e contribuindo com a poluição e contaminação dos corpos hídricos [9].

Já a questão 705 nos convida a refletir sobre o ritmo pulsante do homem esvaindo os recursos naturais e afirma que “imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe regrar o seu viver”. Podemos constatar atraso moral no homem quando este destrói desnecessariamente o seu ambiente, ou descuida das preciosidades da Natureza. Por outro lado, constatamos adiantamento moral no homem que busca o desenvolvimento sustentável: O zelo com os bens da terra mostra o uso da inteligência do homem e é, sem dúvida, a aplicação da Lei do Progresso [10].

 

Referências

[1] – ONU: Assembleia geral, sessão 47; Resolução 47/193, Disponível em https://undocs.org/en/A/RES/47/193. Acesso em 06/03/2021;

[2] Grotzinger, J.J., Press, T., Frank – Siever, R. Para entender a Terra. Ed. Bookman, Porto Alegre. 2006, 656 p.

[3] Instituto Akatu. Você sabe qual a quantidade de água disponível para consumo na Terra? Disponível em https://akatu.org.br/dica/21/. Acesso em 10/03/2021;

[4] Odum, E. P. Ecologia. Rio de Janeiro: Guanabara, 1988. 434 p.

[5] Muradás, K. 2012. Análise do impacto antrópico no sistema banhado do trecho inferior do Rio dos Sinos-RS através de indicadores isotópicos de C, N. Monografia de conclusão do curso de Graduação em Geologia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

[6] Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, questão 711;

[7] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador. Obra ditada por Emmanuel. Questões 103 e 104;

[8] Kardec, Allan. Livro dos Médiuns, Segunda parte, Capítulo VIII, item 131;

[9] Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, questão 716;

[10] Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, questão 705;