22 de abril: Dia da Terra

O Dia da Terra, 22 de abril, tem a finalidade de criar consciência sobre os problemas da
contaminação e da conservação da biodiversidade, a fim de se estabelecer estratégias de
proteção do planeta.
O Homem habita a Terra sedento de despertar, mas, por outro lado, vive em uma via dupla
quanto a forma de habitar o planeta. Na busca de uma vida “confortável”, alimenta-se de um
consumo descontrolado, deixando um rastro de degradação.

A terra produziria sempre o necessário se o homem soubesse se contentar. A Natureza
não é imprevidente, é o homem que não sabe se regrar [1].

O livre arbítrio de muitos resulta nos dissabores de constante miséria no plano físico,
chegando à exaustão da natureza, acompanhado de sofrimento moral.

A Natureza não pode ser responsável pelos vícios da organização social e pelas
consequências da ambição e do amor-próprio [2].

A união entre espiritualidade e ecologia vem romper os vícios morais do status quo a fim de
seguir o rumo para um mundo de regeneração. Nesse contexto, o discurso feito pelo Chefe
Seattle da tribo dos índios Duwamish, no Estado americano de Washington, ao Presidente
Franklin Pierce em 1854 é atual: fala sobre o choque cultural entre a cultura branca e indígena
e a forma com que o homem branco se apropria, manipula e devasta a terra que o sustenta
[3]. O discurso também propõe a irmandade pelos elementos da natureza, a observação das
folhagens na primavera e a forma de tratar os animais.
O Evangelho Segundo Espiritismo nos traz luz quanto à responsabilidade do homem em
administrar os bens que a Terra nos dá.

A espera dos bens do céu, o homem tem necessidade dos da Terra para viver, somente
lhe recomenda não ligar a estes últimos mais importância do que aos primeiros. [4].
A partilha justa se dá na fraternidade entre as pessoas. O excesso de um, alimenta o que falta
para o outro. No ponto de vista ecológico, a escolha que visa o bem e o equilíbrio sempre
resulta em harmonia para o ambiente.

A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os
homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao
próximo, os bens que ela dá. Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre
as províncias de um mesmo império, o momentâneo supérfluo de um suprirá a
momentânea insuficiência do outro; e cada um terá o necessário. [5].

E a Terra clama por socorro, fazendo-nos vários chamados. Atualmente, entre os maiores
desafios, estão: a) combater a liberação desenfreada de gases-estufa e o afinamento da
camada de ozônio, diretamente associados ao aquecimento global; b) evitar os derrames de
navios oleiros e a presença crescente de microplástico nas águas, proveniente da degradação
da cadeia polimérica de vários produtos do nosso cotidiano, tais como roupas, cosméticos e
embalagens, que são vilões na poluição dos cursos d’água, chegando aos oceanos; e c)
fiscalizar, controlar ou até banir o uso de agrotóxicos e inseticidas, bem como as práticas de
desmatamento e queimadas. Para atender aos chamados do planeta é necessário, portanto,
entender seus ciclos e nos adequarmos a eles.

Proteger exige observação. Observar a natureza não é algo comum, exige desprendimento do
cotidiano e poder de contemplação. A natureza é sábia. Um vulcão que desperta de um sono
profundo expelindo com fúria partículas e fragmentos piroclásticos, também enriquece a terra
com nutrientes, possibilitando a proliferação da vida vegetal e animal. Nessa dinâmica da vida,
a semente surge, por sua vez, carregando muito além da informação genética. A semente não
germina em qualquer lugar e de qualquer forma. Mais uma vez, existe sabedoria também na
semente. A semente carrega consigo a presença do criador. Portanto, carrega toda a
potencialidade da vida, de germinação, de crescimento. Somos também sementes e temos a
escolha de germinar e gerar bons frutos no planeta que nos acolhe.
Então, como podemos fazer nossa parte? No campo da liberação de gases-estufa, podemos
optar pelo uso do transporte coletivo, veículos mais econômicos, além da redução no consumo
de carnes e produtos de origem animal [6]. No que concerne aos microplásticos, podemos
preferir produtos com menos embalagens, além de escolher roupas com tecidos de fibra
natural, como o algodão [7]. Em relação aos agrotóxicos, podemos procurar consumir
produtos orgânicos, incentivando assim a sua produção. [8].

Referências
[1] Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, questão 705;
[1] Kardec, Allan. Livro dos Espíritos, questão 707;
[3] Carta do Chefe Seattle. 1984. Acessado pelo sítio da Prefeitura de São Paulo em
28/03/2021.
https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/Carta_do_Chefe_Seat
tle_1263221069.pdf
[4] Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, item 5 do cap. IX;
[5] Kardec, Allan. Evangelho Segundo o Espiritismo, item 8 do cap. XXV;
[6] TIME. How Eating Less Meat Could Help Protect the Planet From Climate Change. Acesso
pelo sítio https://time.com/5648082/un-climate-report-less-meat/
[7] World Health Organization –WHO. Microplastics in drinking-water. Acesso pelo sítio
https://apps.who.int/iris/rest/bitstreams/1243269/retrieve.
[8] Instituto Socioambiental – ISA. 2008. Almanaque Brasil Socioambiental. 552 p.