05 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente. Podemos progredir sem poluir?

O que é Meio Ambiente? Meio ambiente, segundo a lei nº 6938 de 1981, é o “conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas” [1].

Em 1988, o Brasil ratificou sua Constituição Federal. Consta, em seu artigo 225, que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” [2].

Falar de Meio Ambiente é falar de vida, falar sobre preservar todas as condições necessárias para que as diversas formas de vida existam e evoluam. Essas formas de vida, sejam elas vegetais ou animais, estão intimamente relacionadas em teias e cadeias alimentares, criando um equilíbrio harmônico. Portanto, cada espécie é importante para o todo, e, por isso, deve ser preservada [3].

Dada a relevância do tema, foi instituído, na 1ª Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo, na Suécia, no ano de 1972, o Dia Mundial do Meio Ambiente. Desse encontro, surgiu a primeira declaração conjunta de diversos países, declaração esta em favor do uso sustentável dos recursos naturais. E que recursos naturais são estes? A água, o ar, o solo, a flora e a fauna. A preservação desses recursos naturais deve acontecer tanto para as gerações presentes quanto para as gerações futuras [4].

Em 1992, no Rio de Janeiro, aconteceu a 1ª Conferência Internacional da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, com a presença de 180 países. Nesta conferência foi elaborado o relatório “Nosso Futuro Comum”, que consagrou a expressão Desenvolvimento Sustentável. O Desenvolvimento, para que seja sustentável, deve ser socialmente justo, ecologicamente responsável, e economicamente viável. Também nesta conferência foram assinadas a convenção do Clima, a Convenção da Biodiversidade, a Agenda 21 e a Carta da Terra, instrumentos que visam gerar conscientização e metas para a utilização dos recursos naturais de forma sustentável [4].

Em setembro de 2015, na Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, em Nova York, foi lançada a Agenda 2030, com 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a serem perseguidos nos 15 anos seguintes. Esses objetivos visam promover a vida digna para todos os habitantes do planeta Terra, dentro dos limites de capacidade do planeta. Dentre os objetivos estão temas centrais como energia limpa, preservação ambiental, consumo responsável, justiça e igualdade sociais, e a paz. Neste panorama, a erradicação da pobreza é o maior desafio global, e um requisito indispensável para todos os demais objetivos [5].

André trigueiro, em seu livro Espiritismo e Ecologia, diz que o Espiritismo e a Ecologia contribuem para a percepção da realidade nesse mundo que experimenta três crises inter-relacionadas: As crises socioambiental, econômica e moral. Segundo o autor, a Providência Divina nunca nos abandona, mas nossas escolhas são soberanas e determinantes do destino que queremos e teremos. Temos o livre arbítrio que nos torna responsáveis pelo nosso processo evolutivo, e somos responsáveis também, portanto, pelo impacto que causamos e que poderá ameaçar as condições de sobrevivência das outras formas de vida. Ainda segundo o autor, dispomos de conhecimento e tecnologia para mudarmos essas três crises que estão andamento [6].

Conforme o Evangelho segundo o Espiritismo, o progresso é uma das leis da natureza, que abrange, pela bondade de Deus, todos os seres da Criação, pois é de Sua Vontade que tudo se engrandeça e prospere. Enquanto os seres vivos progridem moralmente, os mundos em que eles vivem progridem materialmente [7]. Caminham, paralelamente, o progresso do homem, dos animais, e dos vegetais, porque nada é estacionário na natureza. Porém, o progresso não pode acontecer a qualquer custo, gerando impactos ambientais irreversíveis, como, por exemplo, a extinção de uma espécie. O ser humano deve usar sua inteligência para o bem de todos [8].

O Dia Mundial do Meio ambiente é também, portanto, um dia para reflexão. Como estamos tratando nosso planeta? Qual é o nosso papel na comunidade onde estamos inseridos? Somos cidadãos conscientes? Estamos fazendo nossa parte, ou estamos relegando apenas ao Poder Público o cuidado com a preservação e restauração do Meio Ambiente? Podemos colaborar consumindo orgânicos, reduzindo nosso consumo de água e energia, gerando menos lixo, reciclando, reutilizando. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável delineados pela ONU podem nos inspirar ideias para contribuirmos com o processo de restauração de nosso Planeta [5]. Que possamos optar, então, por sermos agentes dessa mudança.

 

Referências

[1] BRASIL. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm. Acesso em 03/06/2021.

[2] BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF. Disponível em https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_26.06.2019/art_225_.asp. Acesso em 03/06/2021.

[3] Ramos, Maria das Graças Ouriques; Azevedo, Márcia Rejane de Queiroz de. Ecossistemas Brasileiros – Equilíbrio Ecológico. Campina Grande; Natal: EdUEPB; EDUFRN, 2010. Disponível em http://www.ead.uepb.edu.br/arquivos/cursos/Geografia_PAR_UAB/Fasciculos%20-%20Material/Ecossistemas_Brasileiros/Eco_Bra_A05_ID_GR_230610.pdf. Acesso em 03/03/2021.

[4] ONU – Organização das Nações Unidas. A ONU e o meio ambiente. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente. Acesso em 03/06/2021.

[5] ONU – Organização das Nações Unidas. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em 03/06/2021.

[6] Trigueiro, André. Espiritismo e ecologia. Capítulos 5 (No fervilhar do século XIX) e 12 (Senso de urgência).

[7] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo III, item 19.

[8] Kardec, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo VII, item 13.