15 de outubro, Dia do Educador Ambiental

Baseando-nos em Emmanuel, percebemos a importância da Natureza enquanto escola de progresso espiritual do Homem [1]. Podemos ampliar a importância de nosso lindo planeta azul considerando-o também uma escola para o progresso intelectual dos outros seres que o habitam, conforme nos informa o Livro dos Espíritos [2].

O respeito que devemos ao nosso planeta-escola também é atestado pelas leis de Conservação e Destruição: Enquanto a Lei de Conservação nos diz que devemos preservar a vida e utilizar com sabedoria os bens terrestres para nos mantermos, a Lei de Destruição nos ensina a evitar toda crueldade e toda destruição abusiva e desnecessária [3].

Como espíritas, sabemos que já encarnamos, e sabemos que poderemos voltar a encarnar em nosso orbe. Para garantir um planeta em melhores condições para nossos irmãos e para nós mesmos, devemos nos educarmos ambientalmente, mudando nossos hábitos. Eis um dos papéis da Educação ambiental.

Inicialmente, podemos dizer que a Educação ambiental é o processo de educação dos indivíduos para que eles tornem-se cientes dos problemas ambientais, e busquem a conservação e preservação dos recursos naturais, bem como a sustentabilidade, considerando a temática a partir de uma visão do todo, ou seja, abordando os seus aspectos econômicos, sociais, políticos, ecológicos e éticos. A Educação ambiental não deve ser confundida com Ecologia, pois a Ecologia é apenas um dos aspectos relacionados à questão ambiental [4]. 

Podemos ver, comparando os enunciados acima, uma grande afinidade entre os ensinamentos morais da Doutrina Espírita e o objetivo central da Educação ambiental. Porém, é preciso entendermos de qual Educação Ambiental estamos falando.

Quando surgiu, a Educação Ambiental possuía um viés conservacionista, ou seja, tinha como objetivo garantir a conservação de espaços geográficos intocados pelo homem. Dentro dessa linha de pensamento, essa Educação ambiental, que hoje chamamos Educação Ambiental Conservadora, tinha foco no indivíduo, e acreditava que educar os indivíduos seria suficiente para promover a mudança comportamental, gerando assim impacto em escala global. Essa linha de pensamento desconsidera o processo histórico e as influências e pressões sociais sobre o indivíduo [4][5].

Avaliando os problemas socioambientais existentes atualmente, é nítido e claro que o sistema de crenças e valores que nossas sociedades possuem, e a forma de organização social decorrente desse sistema de crenças e valores, são os causadores da grave crise socioambiental que vivemos [6].

Para exemplificar esses conceitos, podemos pensar na pressão social que um jovem sofre para comprar o tênis da moda, mesmo que não precise dele. O estímulo ao consumo de um item, seja por um desejo de inserção social ou por um desejo incutido pela publicidade, é algo tão arraigado em nossa Cultura que nos parece “natural”. Não percebemos a Cultura, mas ela sempre está lá nos dizendo que coisas realmente estranhas são “naturais”. Nos parece natural descartar um copo plástico que utilizamos apenas uma vez, mesmo que saibamos que esse copo plástico raramente será reciclado, e que certamente poluirá a terra em algum aterro sanitário, ou a água em algum rio, ou mesmo nos oceanos. 

Podemos refletir também sobre o processo de fabricação dos tênis e dos copos plásticos. Nosso sistema atual de produção de bens de consumo impõe uma pressão por um custo menor de produção, o que tende a levar a instalação das fábricas para lugares onde a poluição é permitida. Muitas vezes, nos processos de fabricação, em nome da redução do custo de produção, são utilizados componentes químicos agressivos ao meio ambiente e às pessoas que trabalham nessas fábricas, algumas vezes em condições desumanas [7].

Será que, em nosso contexto atual, uma Educação ambiental que vise apenas a preservação dos poucos espaços geográficos ainda intocados pelo homem, é suficiente?

Para ler o processo de construção de nossa história até aqui, e para nos ajudar a entender como chegamos no modelo de sociedade vigente, e para questionar nossas crenças e valores individuais e sociais, com o objetivo de nos ajudar a pensar e construir o tipo de sociedade que queremos, surgiram outros modelos de Educação Ambiental, tais como a Educação Ambiental Crítica, a Educação Ambiental Transformadora, a Ecopedagogia [8], entre outras. Essas abordagens ajudam a ampliar a Educação Ambiental de um modelo de conservação para um modelo de reconstrução social, onde caberá a nós garantir que os valores ambientais estarão inseridos no cerne de nossos valores sociais e de nossa Cultura.

 

Referências bibliográficas em ordem de aparição:

[1] O Consolador, pelo espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, as questões de número 27 e 28;

[2] Livro dos Espíritos, questões 597 a 607;

[3] Livro dos Espíritos, Livro III, Capítulos  V e VI – Lei de Conservação e Lei de Destruição;

[4] https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_ambiental, acessado em 12/10/2020;

[5] Guimarães, Mauro. Educação ambiental Crítica. Páginas 27 a 36. Artigo componente do livro “Identidades da Educação ambiental Brasileira”, acessível em https://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/livro_ieab.pdf, acessado em 12/10/2020;

[6] Loureiro, Carlos Frederico Bernardo. Educação ambiental Transformadora. Páginas 67 a 84. Artigo componente do livro “Identidades da Educação ambiental Brasileira”, acessível em https://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/livro_ieab.pdf, acessado em 12/10/2020;

[7] Vídeo “A história das coisas”, em https://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw, acessado em 12/10/2020;

[8]Avanzi, Maria Rita. Ecopedagogia. Páginas 35 a 51. Artigo componente do livro “Identidades da Educação ambiental Brasileira”, acessível em https://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/livro_ieab.pdf, acessado em 12/10/2020;