Educação da Mediunidade

Afloramento da Mediunidade

  1. – Qual a procedência, a origem da Mediunidade?

No complexo mecanismo da consciência humana, a paranormalidade desabrocha, alargando horizontes da percepção em torno das realidades profundas do ser e da vida. A mediunidade, que vige latente no organismo humano, aprimora-se com o contributo da consciência de responsabilidade e mediante a atenção que o exercício da sua função bem direcionada lhe conceda. Faculdade da consciência superior ou Espírito imortal, reveste-se dos órgãos físicos que lhe exteriorizam os fenômenos no mundo das manifestações concretas (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – O afloramento da mediunidade tem época para acontecer?

Espontânea, surge em qualquer idade, posição social, denominação religiosa ou cepticismo no qual se encontre o indivíduo. Normalmente chama a atenção pelos fenômenos insólitos de que se faz portadora, produzindo efeitos físicos e intelectuais, bem como manifestações na área visual e auditiva, apresentando-se com gama variada conforme as diversas expressões intelectuais, materiais e subjetivas que se exteriorizam no dia-a-dia de todos os seres humanos. (Médiuns e Mediunidades, Cap. 7, Vianna de Carvalho/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – De que modo a faculdade se manifesta?

Explodindo com relativa violência em determinados indivíduos, graças a cuja manifestação surgem perturbações de vária ordem, noutros aparece sutilmente, favorecendo a penetração em mais amplas faixas vibratórias, aquelas de onde se procede antes do corpo e para cujo círculo se retorna depois do desgaste carnal. (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Que outras características podem ser identificadas no afloramento mediúnico?

A princípio, surge como sensações estranhas de presenças psíquicas ou físicas algo perturbador, gerando medo ou ansiedade, inquietação ou incerteza. Em alguns momentos, turba-se a lucidez, para, noutros, abrirem-se brechas luminosas na mente, apercebendo-se de um outro tipo mais sutil de realidade. (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Como deve proceder o médium nessa fase de registros de presença de seres desencarnados?

Silencia a inquietação e penetra-te através da meditação. Ora, de início, e ausculta a consciência. Procura desdobrar a percepção psíquica sem qualquer receio e ouvirás palavras acalentadoras, e verás pessoas queridas acercando-se de ti. (Momentos de Consciência, Cap. 19, Joanna de Ângelis/Divaldo P Franco – LEAL)

  1. – Os sintomas desagradáveis que acompanham o desabrochar da mediunidade são gerados pela faculdade?

Às vezes, quando do aparecimento da mediunidade, surgem distúrbios vários, sejam na área orgânica, através de desequilíbrios e doenças, ou mediante inquietações emocionais e psiquiátricas, por debilidade da sua constituição fisiopsicológica. Não é a mediunidade que gera o distúrbio no organismo, mas a ação fluídica dos Espíritos que favorece a distonia ou não, de acordo com a qualidade de que esta se reveste. Por outro lado, quando a ação espiritual é salutar, uma aura de paz e de bem-estar envolve o medianeiro, auxiliando-o na preservação das forças que o nutrem e sustentam durante a existência física. A mediunidade, em si mesma, não é boa nem é má, antes, apresenta-se em caráter de neutralidade, ensejando ao homem utilizá-la conforme lhe aprouver, desse uso derivando os resultados que acompanharão o medianeiro até o momento final da sua etapa evolutiva no corpo. (Médiuns e Mediunidades, Cap. 7, Vianna de Carvalho/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Por que motivos o afloramento da mediunidade surge, em grande número dos casos, sob ações obsessivas?

Como se pode avaliar, o período inicial de educação mediúnica sempre se dá sob ações tormentosas. O médium é Espírito endividado, em si mesmo, com vasta cópia de compromissos a resgatar, quanto a desdobrar, trazendo matrizes que facultam o acoplamento de mentes perniciosas do Além-Túmulo, que o impelem ao trabalho de auto burilamento, quanto ao exercício da caridade, da paciência e do amor para com os mesmos. Além disso, em considerando os seus débitos, vincula-se aos cobradores que o não querem perder de vista, sitiando-lhe a casa mental, afligindo-o com o recurso de um campo precioso e vasto, qual é a percepção mediúnica, tentando impedir-lhe o crescimento espiritual, mediante o qual lograria libertar-se do jugo infeliz. Criam armadilhas, situações difíceis, predispõem mal aquele que vivem em diferente faixa vibratória, peculiar, diversa aos que não possuem disposição medianímicas. É um calvário abençoado, a fase inicial do exercício e desdobramento da mediunidade. Outrossim, este é o meio de ampliar, desenvolver o treinamento do sensitivo, que aprende a discernir o tom psíquico dos que o acompanham, em espírito, tomando conhecimento das “leis dos fluídos” e amando-se de resistência para combater as “más inclinações” que são os ímãs a atrair os que se encontram em estado de Erraticidade inferior. (Nas Fronteiras da Loucura, Cap. 23, Manoel Philomeno de Miranda/Divaldo P. Franco – FEB)

Educação da Mediunidade

  1. – O médium educa a mediunidade ou educa-se para exercê-la?

Educar-se incessantemente é dever a que o médium se deve comprometer intimamente a fim de não estacionar, e, aprimorando-se, lograr as relevantes finalidades que a Doutrina Espírita propõe para a mediunidade com Jesus. (No limiar do infinito, Cap. 10, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Diante desse conceito de educar-se para a mediunidade, que investimentos o médium deve fazer para exercer sua faculdade com a proficiência? 

O exercício da mediunidade impõe equilíbrio, perseverança e sintonia. A disciplina, moral e mental, criará hábitos salutares que atrairão os Espíritos Superiores interessados no intercâmbio entre as duas esferas da Vida, facilitando o ministério. O equilíbrio, no cometimento de atitudes, durante a absorção dos fluídos e posterior comunhão psíquica com os desencarnados, auxiliará de forma eficaz na filtragem do pensamento e na exteriorização dele. A perseverança, no labor produzirá um clima de harmonia no próprio médium, que se credenciará ao serviço do bem junto aos Obreiros da Vida Mais Alta, objetivando os resultados felizes. A sintonia, decorrerá dos elementos referidos, porque se constitui do perfeito entrosamento entre o agente e o percipiente na tarefa relevante. Transitória e fugaz, a mediunidade, para ser exercida, necessita da interferência dos Espíritos, sem o que a faculdade, em si mesma, se deteriora e desaparece. Quanto mais trabalhada, mais fáceis se fazem os registros, cujas informações procedem do Além-Túmulo. As disposições morais do médium são de vital importância para os cometimentos a que ele se vincula pelo impositivo da reencarnação. Não apenas o anelar pelo bem, mas o executar das ações de enobrecimento. Não apenas nos instantes ao mister dedicado, mas num comportamento natural de instrumento da Vida. Sendo o recurso valioso de quem se encontra no meio, na condição de instrumental imprescindível à conscientização do intermediário em favor dos resultados felizes. A educação do médium, coordenando atitudes, corrigindo falhas de qualquer natureza, evitando estertores e distúrbios, equilibrando o pensamento e dirigindo-o, é técnica que resultará eficaz para uma sintonia correta. Nesse sentido, a evangelização espírita se impõe em caráter de urgência, evitando-se a vinculação com práticas e superstições perfeitamente dispensáveis. São os requisitos morais que respondem pelos resultados ou não, na tarefa mediúnica. (Oferenda, Cap. Educação Mediúnica, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Poderíamos encontrar nas recomendações de Jesus uma diretriz segura para o exercício mediúnico na Terra? 

Jesus recomendou com sabedoria aos Seus discípulos, portadores de mediunidade: – “Curai os enfermos, expulsai os demônios, dai de graça o que de graça recebestes” -, numa diretriz que não dá margem à evasão do dever nem tampouco à acomodação com o erro, à indolência ou à coleta de lucros materiais ou morais, como decorrência da prática mediúnica. O galardão de quem serve é a alegria de servir.

Doa as tuas horas, disponíveis ao exercício da mediunidade nobre: fala, escreve, ensina, aplica passes, magnetiza a água pura, ora em favor do teu próximo, intervém com bondade e otimismo nas paisagens enfermas de quem te busca; ajuda, evangeliza os Espíritos em perturbação, sobretudo, vive a lição do bem, arrimado à caridade, pois médium sem caridade pode ser comparado a cadáver de boa aparência, no entanto, a caminho da degeneração. (Oferenda, Cap. Educação Mediúnica, Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – No processo de educação mediúnica qual a importância da concentração mental?

Quando solicitamos concentração dos cooperadores, pedimos que as mentes sincronizem no dínamo gerador de forças, que é a Divindade, a fim de podermos catalisar as energias mantenedoras do ministério mediúnico. A média que resulta das fixações mentais dos membros, que constituem o esforço da sessão mediúnica, oferece os recursos para as realizações programadas. A concentração individual, portanto, é de alta relevância, porque a mente que sintoniza com as ideias superiores vibra em frequências elevadas. Quem não é capaz de manter-se no mesmo clima de vibração produz descargas oscilantes sobre a corrente geral, que a desarmoniza, à semelhança da estática que perturba a transmissão da onda sonora nos aparelhos de rádio. Indispensável criar-se um clima geral de otimismo, confiança e oração, o que conduz à produção de energias benéficas, de que se utilizam os instrutores desencarnados para as realizações edificantes no socorro espiritual. A concentração é, pois, fixação da mente numa ideia positiva, idealista, ou na repetição meditada da oração que edifica, e que, elevando o pensamento às fontes geradoras da vida, dá e recebe, em reciprocidade, descargas positivas de alto teor de energias santificadoras. Concentrar é deter o pensamento em alguma coisa; fenômeno, a princípio de natureza intelectual, que em breve se torna automático pelo hábito, consoante ocorre nas pessoas pessimistas, enfermiças ou idealistas, e que por um processo de repetição inconsciente mantêm sempre o mesmo clima psíquico, demorando-se nas províncias do pensamento que lhes atrai. Com o esforço inicial, com o exercício em continuação e com a disposição de acertar, criar-se-ão as condições positivas para o êxito de uma concentração feliz, facilitando, dessa forma, as comunicações espirituais que se sustentam nessas faixas de vibrações. (Intercâmbio Mediúnico, Cap. 16, João Cleófas/Divaldo P. Franco – LEAL)

  1. – Qual o modo de concentração a ser praticado pelos participantes de reunião mediúnica?

Algumas correntes espiritualistas recomendam a necessidade da concentração como sendo um veículo para o auto aniquilamento da personalidade, por meio de cujo mister o Espírito logra atingir o êxtase. Asseveram que esta busca interior concede a plenitude, que liberta a individualidade eterna das amarras tirânicas das múltiplas personalidades decorrentes das reencarnações passadas. Aprendemos, no entanto, com Jesus, que o trabalho executado, com vistas exclusivamente para o êxito do trabalhador, pode significar-lhe a morte temporária da possibilidade redentora. Não obstante respeitáveis os conceitos que preconizam a evolução individual, somos chamados pelo Sublime Galileu a proceder de maneira que os nossos irmãos da retaguarda avancem conosco, custando-nos embora, sacrifícios que, sem embargo, o são também daqueles instrutores que seguem à nossa frente, e estagiam esperando por nós. Em nosso ministério de intercâmbio com os sofredores desencarnados, nas salutares reuniões de esclarecimento espiritual, a nossa concentração não deve objetivar uma realização estática, inoperante, da qual se pudesse fruir o entorpecimento da consciência, sem o resultado ativo do socorro generalizado aos que respiram conosco a psicosfera ambiente. Concentração dinâmica – eis o ministério a que nos devemos afervorar – ensejando pelo pensamento edificado aos irmãos que são comensais do nosso mundo mental, momentaneamente, a oportunidade de experimentarem lenitivo e esperança. Concedamos aos perturbadores e perturbados o plasma – alimento mediante o qual se libertam das teias infelizes que os fixam aos propósitos inferiores em que se comprazem por ignorância ou desequilíbrio. O intercâmbio mediúnico é sublime concessão da Divindade aos que ainda se aferram às ideoplastias desditosas e ao magnetismo da carne, de que não se conseguem libertar, produzindo-lhes choques de várias procedências no instante da psicofonia atormentada ou do intercâmbio refrigerador. Assim elevemo-nos em pensamento, fixando-nos no Cristo de Deus, simultaneamente abrindo os nossos braços aos sofredores do caminho, sofredores que somos quase todos nós, em considerando a transcendência da Misericórdia Divina, de modo a ajudá-los na recuperação da paz de que todos necessitamos… (Intercâmbio Mediúnico, Cap. 19, João Cleófas/Divaldo P. Franco – LEAL)